Continuação...
RR: Selecionar 13 músicas em meio a 60 deve ter sido uma tarefa difícil.
JON> Nem tanto. Você não pode se repetir, não pode escolher muitas baladas ou muito rocks. Tem que fazer como um livro, ou um filme, algo com começo, meio e fim. A questão não é se tal música é um sucesso, mas se você quer tocá-la todas as noites. Ás vezes você acha que não, e deixa um sucesso ir embora.
RR: Por que vcs escolhereram Crush como título do disco?
JON> CRUSH foi um acidente. O álbum iria se chamar Sex Sells, porque havia uma música com esse nome, mas ela acabou caindo fora. Depois iria se chamar One Wild Night, mas poderia soar como um álbum ao vivo. Então, enquanto bolávamos a capa do disco, a palavra Crush veio à minha mente e todos gostaram. A razão foi assim como Slippery When Wet (Escorregadio quando molhado), cada pessoa pode entender esse título como quiser (N.R. "Crush" pode significar tanto esmagamento quanto paixão).
RR: Por que decidiram começar a turnê fora dos EUA?
JON> Esse é um hábito nosso. Já começamos turnês em lugares exóticos que Tóquio (ponto de partida da nova tour). A última começou por Bombaim (na India), por exemplo. Desta vez a gente vai começar por Tóquio pois temos uma grande base de fãs ali. Depois vamos percorrer o Japão, a Europa e os Estados Unidos.
RR: A que vcs acreditam o sucesso internacional do Bon Jovi, que vendeu mais de 80 milhões de discos no mundo todo?
JON> A uma família grande (risos)... Brincadeira. Bom, em primeiro lugar, a persistência. Não temos medo de ir a lugar nenhum, estivemos em todos os lugares do mundo. A velha piada sobre a banda é que vamos a qualquer lugar que tenha eletricidade. E, se não tiver levamos o nosso gerador. Fizemos uma reputação como uma banda de estrada, que sai em longas turnês. Nem todas as bandas da nossa geração fazem isso. Além disso, eu e Richie tivemos a sorte de compor um repertório de músicas com as quais as pessoas se identificam.
RR: Quando vcs pretendem voltar ao Brasil?
JON> No final do ano, mas não antes de novembro. Quando o inverno chegar nos EUA, nós vamos procurar o sol e ir para o sul, porque gostamos de tocar ao ar livre e detestamos neve.
RR: Que lembranças vcs guardam dos shows no Brasil?
JON> Lembro de tocar há dez anos no mesmo festival em que estava Bob Dylan... o Hollywood Rock. Lembro do público gigantesco, das praias do Rio, dos restaurantes com aquelas carnes enormes...
DAVID> Em NJ, perto da minha casa, há uma churrascaria brasileira que acaba de ser aberta. Eu fui lá e me senti no Brasil de novo. Tomei muita caipirinha.
RR: As longas turnês são muitas vezes o motivo para uma banda terminar. Mas isso parece deixar o Bon Jovi mais unido. Como vcs conseguem dividir seu tempo entre a banda e suas famílias?
DAVID> Nós temos um grande avião em New Jersey... (risos)
JON > No começo da nossa carreira, não tínhamos mulher e filhos. Amávamos estar em turnê ou gravar discos longe de casa, porque não tínhamos para onde ir. Agora as coisas estão mais "civilizadas". A piada sobre o avião é verdade. A gente pode ir pra casa e encontrar a família uma vez por mês. Não é como antigamente, quando fazíamos a mala e não voltávamos por mais de um ano.
RR: Quais são os prós e os contras da fama?
JON> A fama nos deu a chance de continuar gravando discos. Muita gente conseguiu sucesso no primeiro disco, ganhou prêmios, mas não segurou a onda e desapareceu. Por sorte, nós tivemos altos e baixos e nós sabemos o que eles significam. A longevidade é o melhor presente que poderíamos ganhar. É sensacional poder tocar pra milhares de pessoas, vender tantos discos. No ano passado fui filmar U-571 na ilha de Malta e fiquei surpreso de ver como a banda era popular ali, no meio do nada. Pensei: "Meu Deus, minha música chegou até aqui..."
RR: Como anda a relação entre os integrantes da banda após 17 anos juntos?
JON> Muito Boa. É como um casamento, com seus altos e baixos. A gente se conhece tão bem que sabe segredos que nem nossas famílias sabem. Nós passamos por muitas coisas juntos, conquistamos muitas coisas juntos.
DAVID > É mais como uma máfia do que um casamento. Vc pode sair de um casamento, mas não pode sair da máfia.
RR: O que vcs sentem quando olham aquelas velhas fotos do Bon Jovi nos anos 80 e se vêem com aqueles penteados?
JON> Nós éramos quase crianças naquelas fotos. Infelizmente elas se tornaram públicas... Há algumas que não são tão ruins assim, outras são ridículas. Mas nós sobrevivemos a elas. Qualquer banda, sejam os Stones ou os Beatles, tem fotos patéticas. Talvez em dez anos nós vejamos nossas fotos de hoje e achemos ridículas também.
RR: Vcs são muito reservados sobre sua vida pessoal, não se envolveram em muitos escândalos nesses 17 anos, ao contrário de alguns colegas de trabalho...
JON> É a coisa da máfia. Roupa suja se lava em casa... (risos)
RR: Então não há nenhuma chance de vcs aparecerem em um vídeo pornô com Pamela Anderson, como já aconteceu com integrantes de outras bandas de rock?
JON> Se isso acontecer, vamos ter que matar alguns jornalistas para não deixar vestígios... (risos).
FIM
Por Cá Ormastroni
Blog BON JOVI We Love You!

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